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A quinta tentativa

Sem pseudônimo

Era uma vez um homem com um sino tatuado cujo nome nem mesmo ele sabe. Alguns chamam-no Nuno, outros João, mas o fato realmente importante sobre esse indivíduo ainda está por ser revelado. Nasceu de um alguém desconhecido e foi deixado à porta de um orfanato. Migrou de família em família até completar sua maioridade e, a partir daí, começou a viver sua própria vida do jeito que sempre desejou: viajando. E foram essas viagens que lhe trouxeram as respostas que sempre ansiou.
Esteve na França, Itália, Vietnã; navegou por mares desconhecidos e pisou em terras inabitadas, porém o lugar que realmente lhe marcou foi o apart hotel próximo ao Palácio da Alvorada; mais precisamente: a suíte 102. Foi numa tarde de novembro que o nosso protagonista entrou pela primeira vez nesse quarto com solo sagrado. Lá haviam morrido cem descendentes de Deuses numa guerra antiga — motivo pelo qual aquele lugar portava energia suficiente para ativar partes imperceptíveis nas pessoas, sejam estas boas ou más. Havia uma lenda de que quem entrava naquele quarto e por lá passava uma noite saía um pouco atordoado, porém totalmente decidido sobre o que fazer em sua vida, e foi isso que o atraiu até lá.
Após sentir um calafrio em sua perna, nosso protagonista começa a ouvir o barulho de um sino tocando enquanto anda. Caminha de uma ponta à outra da suíte e, ao reparar que o som não se afasta ou aproxima, pensa na única explicação plausível: a origem do ruído estar nele mesmo. Vasculha seus bolsos e sua mala e, ao nada encontrar, lembra-se de sua misteriosa tatuagem que um dia apareceu em sua perna, mas que nunca teve a memória de tê-la feito. Pensava que teria sido produto de uma daquelas noites em que ficamos totalmente distantes da sobriedade. Levanta sua calça e mexe sua perna; sim, era o seu sino que estava tocando. Como isso seria possível?
Nosso protagonista, repleto de perguntas, resolve tomar um banho quente para organizar melhor seus pensamentos. Achava que estava ficando louco, ponderou até chamar uma ambulância para levá-lo ao hospital e fazer alguns exames, entretanto decidiu manter segredo. No fundo, acreditava que existem coisas além das perceptíveis pela racionalidade; acreditava no sensível, no místico, no sobrenatural — só não admitia abertamente. Adormeceu com vários pontos de interrogação na cabeça, e o extraordinário foi ter se desfeito deles, um a um, durante o sono; aliás, durante os sonhos. Neles, o santinho com a profecia de Dom Bosco que sempre carregou em sua carteira ganhou vida e conversou com ele. Explicou-lhe o motivo de tudo estar acontecendo só agora, o significado de cada um desses eventos e a sua real missão na Terra. Com isso, nosso protagonista descobre seu verdadeiro nome: Cinco. Seria o último de sua espécie, o quinto ser enviado ao planeta para restaurar a paz e a harmonia entre os homens, o último suspiro dos Deuses contra todo o caos existente no mundo. Seu sino havia soado pela primeira vez como insinuação da emergência de seus poderes e soaria novamente apenas quando uma guerra estivesse prestes a começar. Seu dever, a partir de então, seria salvar o ser humano de sua humanidade e trazer-nos o tão sonhado paraíso. Será ele bem sucedido?

Contagem: 540 palavras

Comentários

Alexandre Lobão

O conto tem suas qualidades, como, por exemplo, não ter nenhum grande erro ortográfico ou gramatical, no entanto por ser inspirado/baseado em um livro (“Eu sou o número quatro”, de Pittacus Lore) acaba perdendo força e incomodando pela aparente falta de originalidade. A quantidade de detalhes é muito grande para um conto, com muita informação de uma vez só, com parágrafos grandes demais e com várias informações por paráfrafo. O leitor sente como se estivesse em uma corrida, como se lesse um resumo de algo maior, o que impede que se identifique com o personagem ou aprofunde sua imersão na história.
Detalhe: Do segundo para o terceiro parágrafo o tempo verbal mudou do passado para o presente; não se deve fazer isso em um conto a menos que se trate de linhas narrativas diferentes e bem definidas.

Ana Vilela

Apesar de bem escrito e até instigar o leitor em certo momento, o texto não deslancha, não chega a ser um conto propriamente dito. Inexiste uma história de fato. A ideia do quarto é boa, deixa o leitor curioso, mas a partir daí não há um desenvolvimento. As cem mortes não colam muito, falta algo, uma conexão. A fórmula do sonho também já é muito batida e deve ser explorada com critério e cuidado.

Desncessária a interferência do narrador: “nosso protagonista”. Fórmula que, raras vezes, dá certo. Fica cansativo.

Creio que seja apenas uma questão de retomar o texto e refazê-lo, com mais tempo e calma. Tem ideia boa aí e a escrita também é boa.

Betty Vidigal

− O conto dá a impressão de ter sido feito só para cumprir o desafio. Nada no enredo se liga a nada.

revisão:
• “as respostas pelas quais sempre ansiou”. Ou “as respostas que sempre procurou”.
• “o marcou” (e não lhe marcou)
• há outras ocorrências desse tipo.

João Paulo Hergesel

Os contos costumam surgir de formas distintas, com diferentes propostas, em diversos desdobramentos. Mas esse texto está muito mais ligado a uma sinopse de audiovisual do que a um conto literário. Existe uma gama de descrições de ações, de fatos que posicionam o leitor a ter uma visão mais ampla do que deveria ser a história; mas não há aprofundamento linguístico, estilístico, artístico suficiente para ser comparado a uma obra com viés literário, tomando por base as experiências registradas pela Literatura Contemporânea.

Oswaldo Pullen

A tatuagem que badala é uma imagem interessante. Merece um trato melhor do que o que foi dado.

Nota

 

Jurados

Nota

Alexandre Lobão  6,7
Ana Vilela  8,0
Betty Vidigal  6,5
João paulo Hergesel  6,5
Oswaldo Pullen  8,2
Total  35,9