Encontro Surpreendente

Heliodora Ekonbeliongo

Talvez a solidão entediante fosse a causa de todo aquela ansiedade.
Antes de assumir a segurança de um político importante, o marido bem que insistiu para ela retomar o curso na faculdade, preencher parte do tempo ocioso.
Ela resistiu aquela sugestão, não conseguia mais se imaginar assistindo aula, aquele primeiro ano fora na verdade um grande sacrifício ao qual não tinha a menor intenção de voltar.
O fato é que ela não tinha interesse por quase nada além de si mesma – academia, salão, e quando o estresse era grande, uma sessão com seu massagista predileto resolvia a questão.
O chá com as amigas também esposas de militares costumava ser agradável, entre uma guloseima e outra as piadas picantes davam o tom e deixando as tardes mais divertidas.
Fora isso, as salas de bate-papo era outra forma de gastar seu tempo e onde as vezes passava horas.
“Capitao” nunca dissera seu verdadeiro nome, ela também não, assim entre a “Tigresa” e o “Capitão” foi crescendo uma relação onde ambos não faziam ideia de como terminaria. Por enquanto daquele jeito estava muito bom, bastava um click para resolver tudo, acabar o encontro, até mesmo a relação sem qualquer problema e melhor ainda sem o risco de se dar a conhecer.
Clara não considerava aquilo como traição, era um passatempo, tinha outros dois ou três com os quais flertava inconsequentemente, embora ultimamente tivesse dedicando maior tempo ao “Capitao”.
Ele queria que se encontrassem pessoalmente, ela não, sabia que quando isso ocorresse, não teria volta. Mas cada vez que conversavam a curiosidade aumentava e ela ficava tentada.
Então ele a convidou para um baile a fantasia, era dos militares reformados e suas famílias, aconteceria num espaço do teatro Pedro Calmon e sugeriu que se encontrassem na Praça dos Cristais.
A proposta era boa, teriam a oportunidade inclusive de dar vida a seus personagens da sala de encontros e ao final da festa tirariam seus disfarces lá mesmo ou na praça, ele concordou com a sugestão.
Assim fizeram e num sábado à noite ela foi para o local, sentou embaixo de uma arvore e ficou admirando as pedras sob a iluminação enquanto aguardava.
Sentiu a pressão de mãos fortes sobre seus ombros e a sensação de um outro toque familiar, mas ao virar deparou-se com o homem mascarado, de camiseta verde musgo onde estava escrito “capitão” em letras grandes e na cor preta e aquela figura em nada lembrava algum conhecido seu.
Cumprimentaram-se e a conversa fluiu com muita naturalidade, sem timidez ou constrangimentos.
De repente ele disse que tinha uma coisa que desejava muito fazer antes de irem a festa e ato contínuo agarrou-a e beijou-a, ela sequer opôs resistência, parecia esperar por aquela iniciativa.
Ficaram ali por mais algum tempo, uma hora, talvez mais…
A festa foi lá mesmo, entre gemidos e beijos.
Ele queria tirar a dele primeiro, ela ainda descalça sugeriu que caminhassem uns 50 passos de costas um para o outro e depois poderiam se virar.
Antes de completar a distância Clara resolveu calçar as sandálias, pisou em algo, abaixou e pegou, era um documento, melhor, era um crachá, preso por uma alça de pendurar no pescoço, curiosa pensou que descobriria a identidade dele antes que ele pudesse saber a dela. Parou bem embaixo da lâmpada e continuou contando enquanto posicionava o documento sob a luz.
Aquilo não era possível, era uma pegadinha, só podia ser isso, tinha nas mãos a identificação funcional de seu marido!
25, 26, 27, 28, 29, 30…Ainda podia ouvir o som de sua própria voz se misturando com o barulho dos saltos de suas sandálias.
Não sabe como chegou ao carro, teve vontade de tirar aquele vestido de tigresa ali mesmo, mas tinha que chegar em casa, pôr a cabeça em ordem antes de imaginar como foi que o Carlos teve coragem de fazer uma coisa daquelas com ela.
Depois que chegou em casa, se acalmou, pegou o crachá, sorriu divertida, afinal ele não tinha desistido de ser capitão, isso era bom, além disso era bem mais arrojado que o Carlos do seu dia a dia.
Tomou um banho demorado, secou os cabelos, pegou o crachá,cortou em pedacinhos, atirou na lixeira enquanto olhava a agenda telefônica, precisava marcar com o novo massagista!

Contagem:  707 palavras

Comentários

Alexandre Lobão

A história do conto está interessante, o que é bom, pois a imaginação é a melhor característica para um contista. Há no entanto diversas oportunidades de melhoria:
– A frase “Ele queria tirar a dele primeiro” não permite ao leitor, em uma primeira leitura, descobrir a que o artigo “a” se refere, pois “fantasia” não é mencionada logo na frase anterior. Este tipo de construção deixa o texto confuso e deve ser evitado.
– A mulher / narradora diz que “aquela figura em nada lembrava algum conhecido seu” e, depois, fica conversando e beijando o “capitão” por longo tempo, pelo que não fica crível, ao final, que ela não tenha reconhecido o marido.
– A frase final, “precisava marcar com o novo massagista”, ficou pouco clara. Ela tinha um massagista predileto, porque trocou? Ou se referia ao seu marido? Se fosse o caso, não precisaria ver na agenda…
– Na questão meramente formal, que poderia ser resolvida por outra pessoa, o texto demanda uma revisão de português em geral, pois há problemas de acentuação (incluindo crases) e pontuação.

Ana Vilela

1 – 1.1 Atenção ao português e à pontuação em todo o texto. Alguns exemplos: “Ela resistiu aquela (àquela) sugestão”. 1.2 Pontuação: “Ela resistiu aquela sugestão, não conseguia mais se imaginar assistindo aula, aquele primeiro ano fora na verdade um grande sacrifício ao qual não tinha a menor intenção de voltar.” “O chá com as amigas também esposas de militares costumava ser agradável, entre uma guloseima e outra as piadas picantes davam o tom e deixando as tardes mais divertidas.” – “Ela resistiu àquela sugestão. Não conseguia mais se imaginar assistindo à aula. Aquele primeiro ano fora na verdade um grande sacrifício ao qual não tinha a menor intenção de voltar.” “O chá com as amigas, também esposas de militares, costumava ser agradável. Entre uma guloseima e outra, as piadas picantes davam o tom, deixando as tardes mais divertidas.” 1.3 Concordância verbal: “Fora isso, as salas de bate-papo era outra forma de gastar seu tempo e onde as vezes passava horas.” – “Fora isso, as salas de bate-papo eram outra forma de gastar seu tempo e onde às vezes passava horas.”
2 – Enredo fraco. Entrada abrupta no tema da traição – “Capitão” nunca dissera seu verdadeiro nome, ela também não, assim entre a “Tigresa” e o “Capitão” foi crescendo uma relação onde ambos não faziam ideia de como terminaria.
3 – A ideia de o contato ser o marido é até interessante, mas precisa ser melhor desenvolvida para não ficar nem clichê, nem inverossímil.

Betty Vidigal

Olha… tem muitos erros de sintaxe. Não tem como corrigir; só reescrevendo a estória. Que é divertida, mas sofre com o problema de haver centenas de outras com desfecho semelhante. Estórias em que alguém tecla com o marido ou com a própria mulher e só descobre isso num encontro ao vivo.
Fora aquelas em que um adolescente descobre que estava teclando com a avó, ou a mãe com o filho, etc. O que esta sua tem de um pouco diferente é que a personagem descobre que estava traindo o marido com ele mesmo – mas ele continua não sabendo a identidade dela.
Só que isso é impossível, né…. Ninguém deixaria de reconhecer o próprio marido apenas porque ele está fantasiado ou mascarado. Até o som da respiração, no escuro, de uma pessoa que a gente conhece, revela a identidade. E ele nem ao menos ficou em silêncio! A voz do marido, ela não reconheceu? Ele não reconheceu a voz da mulher dele? E como é que “aquela figura em nada lembrava algum conhecido seu”? Impossível. A silhueta do marido, a postura, a gente reconhece de longe, qualquer que seja a posição do corpo. Sentado, em pé, deitado, de costas, de lado…
– Uma curiosidade: militar pode trabalhar na segurança pessoal de um político? Não sei. Mas parece estranho.

João Paulo Hergesel

O título, que não significa muita coisa, revela o clímax do conto, que também é clichê: diversas histórias, especialmente comédias românticas, contêm um casal protagonista que se trai simultaneamente e descobre que o “amante secreto” é o próprio cônjuge. Senti falta da originalidade do autor. O texto, desde o início, sofre com desvios gramaticais, ortográficos e de pontuação, o que prejudica muito a leitura e a fluidez das ações. Falhas de concordância e regência, construções frásicas obscuras e ausência de elementos coesivos em alguns pontos corroboram a necessidade de uma revisão mais cuidadosa antes da submissão. Comentários estilísticos: 1) A palavra “click” já passou pelo processo de aportuguesamento (“clique”), sendo, portanto, desnecessário o uso do estrangeirismo puro. 2) A expressão “bastava um clique” é um lugar-comum e merece ser descartada. 3) Vírgulas não machucam e crases são fofas; usá-las, quando houver necessidade, zela pela correção textual.

Oswaldo Pullen

Conto interessante. Bom vocabulário e madureza na escrita. A inverossimilhança do fato de ela só ter descoberto que era seu marido após ter pego o crachá, e sua improvável saida de cena sem que o parceiro não apresentasse resistência, tiram um pouco da força do conto.

Nota

 

Jurados

Nota

Alexandre Lobão 7,1
Ana Vilela 7,0
Betty Vidigal  7,0
João Paulo Hergesel 7,5
Oswaldo Pullen 9,0
Total 37,6