Final feliz?

Sem pseudônimo

Essa história é sobre Zon, um turista alemão que caminha pelos quatro cantos do mundo com um único objetivo: achar a formiga da sorte. Desde os seus 4 anos, o jovem adulto sofre de transtorno obsessivo compulsivo com leve tendência à esquizofrenia como consequência de um trauma. O gatilho para tal problema foi peculiar: ao ter observado um conjunto de formigas carregando um pedaço de papel com um pouco de açúcar em sua direção, achou que o papel era um objeto animado que o perseguia obstinadamente. A partir desse momento, passou a desconfiar de todo e qualquer derivado de celulose que se parecesse com papel.
Sua mãe, com o propósito de acalmá-lo na situação caótica em que sua mente se encontrava, inventou uma história: Zon seria a reencarnação de um mágico poderosíssimo que retirava sua força do papel. Por momentos, o ansiolítico trouxe resultados positivos. Entretanto, com o passar do tempo, tornou-se mais um fator potencializador de sua loucura.
Mais uma tentativa foi realizada por sua mãe; dessa vez, ela contou-lhe que o papel foi carregado pelas formigas até ele porque elas queriam ajudá-lo a ficar mais forte. Quando achasse a formiga da sorte, sua força alcançaria o máximo e, aí sim, poderia proteger-se para sempre, sem temer nada mais. Começou, aí, a procura.
Zon passou por diversos lugares no mundo: França, Portugal, Chile, EUA, China, mas em nenhum deles achou a sua tão sonhada formiga. Num dia de inverno, contudo, já cansado fisicamente pelo dia cheio e, também, psicologicamente pela ausência de resultados em sua busca, resolveu tomar um café no restaurante na esquina perto de sua casa. O lugar sempre foi muito bonito, com o visual espetacular do relógio de sol do Parque da Cidade. Sentou-se na mesa perto da janela e, nesse momento de perdição, encontrou-se finalmente: achou a tal formiga caminhando sozinha em um azulejo pirata de AthosBulcão. De alguma forma distorcida, porém verdadeira e sua, sentiu-se calmo pela primeira vez e soube aproveitar a vida da forma leve e despreocupada, como sempre sonhou.

Contagem:  339 palavras

Comentários

Alexandra Rodrigues

A ideia do conto é inusitada, o texto divertido. A narrativa movimenta-se muito rapidamente, acompanhando o ritmo frenético da loucura do personagem. Na minha percepção, o desenlace perde a força que poderia ter se houvesse maior contextualização, detalhamento e suspense. Fiquei curiosa: como Zon reconheceu a formiga da sorte? Como aconteceu a busca da formiga da sorte em todos esses países? Algum detalhe pitoresco? (quem sabe poderia ter explorado os traços marcantes das formigas de cada cultura…). Creio que o título se torna ainda mais provocativo sem o ponto de interrogação. Foi um bom começo, Sem Pseudônimo! Aguardo seus próximos contos com curiosidade.

Celso Bächtold

O autor, na fase inicial, descreveu muito bem o personagem e seus problemas psicológicos. Entretanto, a parte final ficou por demais simples. Alguns fatos poderiam ter sido mais explorados, como sua escolha em morar no Brasil, o azulejo pirata (porque era pirata?) e a formiga que encontrou (porque aquela era a tão procurada “formiga da sorte”?).
Assim, o texto estaria enriquecido, com mais informações, e o leitor mais esclarecido em suas possíveis dúvidas. Porém, isso não tira a beleza do texto, que é muito interessante e criativo.

Paulo Fodra

A abordagem escolhida para a obsessão é muito interessante e promissora, mas o desenvolvimento da ideia deixa a desejar. Contos pequenos normalmente pedem um polimento irretocável na forma para encantarem o leitor pelo minimalismo e concisão. Aqui, ao contrário, o curto e acelerado desenvolvimento não ajuda a “vender” ao leitor a narrativa, que é bem pouco verossímil. O uso das palavras-chave aqui é bem frouxo, mero cumprimento de tabela.

Roberto Klotz

A abertura é no mínimo curiosa: procurar uma formiga da sorte nos quatro cantos do mundo. Pecou na pesquisa ao sugerir a vista do relógio de sol a partir do restaurante (vide google earth).O mérito do conto foi a criatividade provando que tamanho não é documento.

Simone Pedersen

Conto bem escrito e criativo. Os elementos do desafio estão presentes, porém o fato do azulejo ser pirata não tem relevância, é apenas uma citação. O personagem ou suas viagens poderiam ser mais explorados. É preciso atentar para os elementos do desafio: cenário, personagem e objeto-chave.

Nota

Jurados

Nota

Alexandra Rodrigues 7,0
Celso Bächtold 9,0
Paulo Fodra 6,5
Roberto Klotz 7,5
Simone Pedersen 8,6