Sobre fadas e doenças misteriosas

Sem pseudônimo

Há muito, muito tempo atrás, era uma vez uma dondoca, cujo nome todos conheciam: Bárbara. Amava seu marido mais do que a tudo — pelo menos assim o dizia — e o acompanhava a todo e qualquer evento que ocorresse na cidade. Muito atenciosa essa mulher — comentavam, mas o que não sabiam era quem ela realmente era por trás da maquiagem e dos vestidos de luxo: uma fada.
Esqueçamos tudo o que aprendemos nos contos de fadas. Apesar de nutrir uma beleza inigualável, digna da inveja da mais alta realeza, nossa protagonista tinha um defeito em sua natureza que se sobrepunha a todas as suas qualidades: ela se alimentava da essência das pessoas. Os moradores da cidade sabiam que uma doença incurável estava se alastrando por entre os habitantes daquele lugar, mas pouco desconfiavam sobre a causa de tal tormento. No fundo, culpavam-se a si mesmos por pecarem tanto, e esses pecados se refletirem nesse quadro caótico. Mal sabiam do quanto estavam enganados.
Um dia, durante o baile de comemoração do centenário da cidade, na Praça dos Cristais, Bárbara, inebriada de fome, resolve atacar. Não contenta-se com o senhor velho e magro que estava longe da festa e tenta atrair um homem na flor de sua idade para um lugar também afastado. Este cede ao encanto da mesma e a segue como um pássaro em busca do tão precioso néctar. Para sua sorte, havia estudado fora e estava de passagem apenas para ver de perto uma fada. Para o azar de nossa protagonista, o jovem adulto portava um crachá que o protegia de sua magia. E assim ocorreu: Bárbara seduziu-o para deixá-lo ao máximo confortável — o que era necessário para conseguir se alimentar. Beijou-o com toda a satisfação possível. Seu sangue predador fervilhou. Entretanto, ao tentar abolir sua fome, foi morta com uma estaca de madeira no coração sem sequer poder reagir de tão distraída que estava procurando o motivo de sua magia falhar. Seu corpo desapareceu desde então, e a curiosa doença foi milagrosamente curada.

Contagem:  333 palavras

Comentários

Allan Vidigal

Não me pegou. Dá a sensação de que você escreveu qualquer coisa para atender à provocação.
Alguns probleminhas de pontuação (mas isso não afeta a nota, é só um toque). Verborrágico em alguns pontos e a linguagem às vezes lembra a de livrinhos tipo Sabrina (já disse isso sobre um outro conto esta semana). Por exemplo: “tenta atrair um homem na flor de sua idade para um lugar também afastado. Este cede ao encanto da mesma e a segue como um pássaro em busca do tão precioso néctar”.
Dava para ser melhor. Porque, e como, o crachá protegia o fulano da fada? Quem era o fulano? Como ele sabia que havia uma fada ali?
Enfim, tem muito o que melhorar.

Cinthia Kriemler

Para mim, cumpriu de maneira fraca o desafio.Você citou a dondoca. Mas onde está o adultério? A Praça dos Cristais foi citada quase como se tivesse sido inserida de última hora, de maneira forçada, para cumprir a tarefa. O crachá ganhou uma função meio forçada. A história parece que já estava escrita e que foi “requentada”. Passa a impressão de que não teve o menor compromisso com uma narrativa bem feita. Um pouco mais de pesquisa sobre o monumento ou sobre a cidade teria sido bom. E faltou revisão Para mim não funcionou uma história de fada para falar de uma dondoca adúltera.

Marco Antunes

“nutrir uma beleza inigualável” – Como se nutre uma beleza? “a segue como um pássaro em busca do tão precioso néctar”.
– Evite clichês! “deixá-lo ao máximo confortável” – Expressão truncada. “abolir sua fome” – Uso inadequado de palavras. O que dizer? Parece que o autor sentou-se dez minutos antes de esgotar o prazo de envio e resolveu escrever qualquer coisa para enviar. O entrecho é horrível, as personagens absurdas e nada convincentes, o estilo inexistente. Em suma, não vi méritos.

Nálu Nogueira

Uma premissa super criativa e interessante, mas que não se concretiza, não “acontece” dramaticamente. Achei o resultado infantil, apressado, ruim. Sugiro a(o) autor(a) fazer o exercício de reescrever, buscando elaborar melhor o enredo a partir da ideia inicial: uma mulher que é, na verdade, uma fada cuja magia precisa ser alimentada com sexo adúltero. A “doença” misteriosa eu penso que é dispensável numa nova construção.

Wilson Pereira

O conto atende parcialmente à provocação.
Por sua brevidade, o texto não chega a desenvolver uma trama bem articulada e bem arrematada. Faltam fundamentos para o desenlace, que pode parecer surpreendente, mas carece de verossimilhança.

Nota

 

Jurados

Nota

Allan Vidigal  7,0
Cinthia Kriemler 6,9
Marco Antunes 6,0
Nálu Nogueira  6,0
Wilson Pereira  7,0
Total 32,9